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Parakite explained

O que é um Parakite?

Um Parakite é uma asa flexível caracterizada sobretudo pelo seu sistema de controlo, no qual a atuação dos comandos permite alterar de forma significativa a geometria e a incidência da asa durante o voo.

Parakite em Portugal
Piloto em voo sobre a costa, com as mãos nos comandos e as linhas a subir para a asa.

A característica central

O sistema de controlo

Num Parakite, os comandos fazem parte de um sistema integrado com os risers e as linhas, permitindo ao piloto alterar progressivamente a configuração longitudinal da asa durante o voo.

Ao movimentar as mãos, o piloto influencia de forma direta a velocidade, o pitch, a trajetória e a gestão de energia da asa.

A característica diferenciadora está na arquitetura dos risers e dos comandos, e na amplitude de controlo que esse sistema proporciona ao piloto.

O sistema de controlo permite ao piloto alterar de forma significativa a configuração da asa durante o voo.

Asa flexívelPressurizada pelo ar, sem estrutura rígida.
Comandos integradosO input não fica limitado ao bordo de fuga.
Geometria longitudinalA relação entre grupos de linhas ao longo da corda.
AmplitudeQuanto dessa configuração o piloto consegue mesmo mudar.

Do input ao voo

Como funciona um Parakite

Os comandos estão integrados com a geometria do sistema de risers. Ao movimentá-los, o piloto não atua apenas sobre o bordo de fuga: pode alterar de forma significativa a geometria longitudinal e a incidência da asa.

Com as mãos mais altas, a asa assume uma configuração mais acelerada. A velocidade aumenta e a trajetória pode tornar-se mais descendente.

Ao baixar progressivamente as mãos, a configuração muda e a velocidade diminui. A energia acumulada em velocidade pode então ser utilizada para alterar a trajetória, reduzir a descida e, em determinadas situações, ganhar temporariamente altura.

O caminho do input

1Input do piloto
2Comandos
3Risers + linhas
4Configuração da asa
5Velocidade · pitch · trajetória · energia
Mãos mais altasMais velocidade e maior tendência para mergulhar.
Mãos mais baixasMenos velocidade e maior capacidade de converter energia.

Comandos, risers e linhas

O que os risers fazem

Os risers fazem a ligação mecânica entre os diferentes grupos de linhas da asa e os pontos de suspensão do piloto. Num Parakite, podem desempenhar também um papel ativo no sistema de controlo.

Quando o piloto atua nos comandos, o sistema pode alterar de forma coordenada a posição relativa dos diferentes grupos de linhas: alguns passam a ficar relativamente mais curtos ou mais longos em relação aos outros. Isso modifica a forma como diferentes zonas da asa ficam posicionadas ao longo da corda.

Os risers não controlam a asa isoladamente. Fazem parte de um sistema integrado formado pelos comandos, risers, linhas e geometria da própria asa.

O funcionamento correto depende também do comprimento relativo das linhas e do trim. Como cada riser influencia grupos inteiros de linhas, pequenas diferenças de comprimento, desgaste ou assimetria podem alterar a configuração e a resposta da asa.

Não existe uma solução mecânica universal. Consoante o projeto podem existir polias, mixers, cascatas, diferentes grupos de linhas, diferentes relações mecânicas e diferentes amplitudes de movimento. Nenhuma delas, isoladamente, define um Parakite.

Quatro conceitos que não são sinónimos

Geometria, incidência e pitch

GeometriaA relação entre a forma da asa, o perfil, o plano de linhas, os risers e os comandos. Parte dela pode ser alterada pelo piloto durante o voo.
IncidênciaA configuração geométrica da asa em relação ao seu sistema de suspensão, determinada pela relação entre os grupos de linhas e pelos risers.
PitchO movimento de rotação da asa em torno do seu eixo lateral: o nariz tende a subir ou a descer, e a atitude longitudinal altera-se.
Ângulo de ataqueO ângulo entre a corda do perfil e o fluxo de ar relativo naquele instante.

Nos Parakites, a incidência não é necessariamente fixa. A atuação dos comandos pode alterar progressivamente a geometria dos risers e das linhas e, com ela, a incidência da asa durante o voo. De forma geral, uma configuração mais acelerada tende a corresponder a menor incidência geométrica; aumentar o input tende a aumentar a incidência e a reduzir a velocidade. A forma exata depende do projeto do sistema de controlo.

Estes conceitos estão relacionados mas não são a mesma coisa. Mesmo que a configuração geométrica da asa não mudasse, o ângulo de ataque poderia variar por causa de uma rajada, de uma mudança de trajetória, de uma manobra ou do movimento da própria asa.

O pitch também não é determinado isoladamente pelo piloto: depende da inércia, da velocidade, da trajetória, do movimento pendular, das rajadas e da estabilidade aerodinâmica do perfil.

O trim faz parte desta geometria. Pequenas alterações relativas no comprimento das linhas podem deslocar a configuração de referência, alterar a simetria, a autoridade dos comandos e o comportamento do reflex. E há uma diferença entre a geometria projetada e a geometria real em serviço: desgaste, nós, reparações ou assimetrias podem modificar a relação entre grupos de linhas mesmo quando a asa parece normal.

O que significa hands up

Hands up significa elevar progressivamente os comandos e reduzir o input aplicado pelo piloto. Não significa largar os comandos.

Em muitos sistemas atuais, este movimento permite que a geometria dos risers evolua para uma configuração mais acelerada: a incidência geométrica tende a diminuir, a velocidade aumenta, a asa tende a avançar em pitch e a trajetória pode tornar-se mais descendente. E não é só retirar a deformação do bordo de fuga — o mesmo movimento pode comandar alterações coordenadas entre diferentes grupos de linhas.

Não é máximo planeioConsoante o projeto, o ponto de melhor razão de planeio pode ocorrer antes da posição totalmente libertada. A posição mais alta pode privilegiar velocidade e dive.
Não é «reduzir o ângulo de ataque»A configuração geométrica e a incidência podem mudar, mas o ângulo de ataque instantâneo depende também da trajetória e do fluxo de ar relativo.

Altura, velocidade, trajetória

Gestão de energia

Parakite flying is energy management.

AlturaVelocidadeTrajetória

Durante o voo, a asa possui principalmente energia associada à sua altura e à sua velocidade. Ao alterar a configuração e a trajetória, o piloto gere continuamente a relação entre estas duas formas de energia.

Numa trajetória descendente, a perda de altura pode ser convertida em aumento de velocidade. Essa velocidade representa energia que pode ser conservada e utilizada mais tarde. Quando o piloto aumenta progressivamente o input, modifica a configuração e o pitch — e essa velocidade pode então ser usada para alterar a trajetória, reduzir a descida ou, quando existe energia suficiente, realizar uma trajetória ascendente e ganhar temporariamente altura.

A conversão nunca é perfeita. O arrasto dissipa continuamente parte da energia, pelo que cada manobra tem perdas. A eficiência com que uma asa conserva velocidade e permite reutilizá-la depende do desenho, da configuração, da trajetória e da ação do piloto.

Um rigor que importa: a energia não se transforma em sustentação. A sustentação é uma força aerodinâmica. O que existe é uma conversão entre energia potencial, associada à altura, e energia cinética, associada à velocidade — enquanto a asa produz as forças necessárias para alterar a trajetória.

Parte do sistema

Reflex

O reflex é parte do sistema, não a definição.

O reflex é uma característica da geometria do perfil aerodinâmico: a zona posterior apresenta uma curvatura que modifica o momento de pitch da asa. Numa asa sem estabilizador horizontal, esta geometria pode contribuir para a estabilidade longitudinal.

Nos Parakites, o perfil reflex assume particular importância nas configurações mais aceleradas, em que a asa tende a voar com menor incidência geométrica e maior velocidade. Nessa condição pode ajudar a estabilizar o comportamento em pitch e aumentar a resistência a perturbações e a determinadas deformações.

O efeito não funciona isoladamente. Depende do desenho do perfil, da pressão interna, da tensão da vela, da geometria das linhas e dos risers, do trim, da carga e da velocidade. Como o sistema de controlo altera a geometria da asa, o efeito reflex disponível pode variar com a posição dos comandos — e por isso pequenas alterações de trim, nós, assimetrias ou interferências podem modificar o comportamento que se espera do perfil.

O reflex aumenta a margem de estabilidade em determinadas configurações, mas não torna a asa impossível de colapsar. Turbulência, baixa pressão interna, deformações, problemas de trim ou inputs inadequados continuam a poder provocar perda de estabilidade. Não substitui a pilotagem — e também não é, por si só, aquilo que define um Parakite.
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Onde estão as fronteiras

Parakite, parapente, speedwing e miniwing

Estas categorias partilham princípios básicos: asa flexível pressurizada pelo ar, linhas, risers e comandos. O que as separa é sobretudo a arquitetura do sistema de controlo e a forma como a configuração da asa é alterada em voo.

Parapente

Num parapente convencional, os comandos de mão atuam principalmente sobre o bordo de fuga, permitindo dirigir, desacelerar e controlar a asa. O piloto pode ainda alterar incidência e velocidade através de sistemas separados, como o acelerador, e alguns parapentes modernos permitem controlo de pitch pelos risers traseiros — seria incorreto dizer que só se controla pelos travões.

Num Parakite, a função de alterar a configuração está integrada de forma muito mais direta nos comandos principais. Isso cria uma lógica de pilotagem diferente: passar progressivamente entre configurações mais rápidas e mais lentas através dos próprios comandos.

Speedwing

Numa speedwing, o controlo direcional é normalmente feito pelos comandos de travão e, em alguns sistemas, também pelos risers traseiros. A velocidade e o ângulo de planeio podem ser ajustados por trimmers ou outros sistemas próprios do projeto.

Num Parakite, o movimento das mãos pode alterar progressivamente a relação entre grupos de linhas e, com isso, a configuração longitudinal e a incidência — permitindo gerir diretamente, pelos comandos, uma ampla variação de velocidade, pitch, trajetória e energia.

Miniwing

O termo miniwing é usado de forma ampla para asas derivadas da lógica de pilotagem do parapente. Numa arquitetura convencional, os comandos atuam principalmente sobre o bordo de fuga; quando existem trimmers, estes alteram separadamente velocidade, incidência e planeio.

Num Parakite, alterar a configuração é função dos próprios comandos principais: a interação entre comandos, linhas e geometria dos risers modifica progressivamente a configuração longitudinal e a incidência. Existem projetos que aproximam soluções das duas famílias — a distinção continua a fazer-se pela arquitetura do sistema de controlo.

Speedflying é uma modalidade, não uma categoria de asa. Existem Parakites concebidos especificamente para speedflying — por isso uma asa usada para speedflying não é automaticamente uma speedwing convencional, da mesma forma que um Parakite não deixa de o ser por ter sido desenvolvido para esse tipo de voo.

Uma categoria, muitos projetos

A implementação pode variar

Não existe uma única arquitetura que represente todos os Parakites.

Diferentes Parakites podem ter diferentes geometrias, sistemas de risers, relações mecânicas, perfis e soluções de controlo. É por isso que nenhuma característica de um projeto concreto deve ser lida como característica de toda a categoria.

O que pode variar entre projetos

Geometria dos risersComo os grupos de linhas se relacionam entre si.
Relações mecânicasQuanto se move cada grupo para um dado input.
Organização dos grupos de linhasQuantos são e como se distribuem ao longo da corda.
PerfilA forma aerodinâmica e o comportamento que dela resulta.
Amplitude do sistema de controloAté onde a configuração pode ser alterada em voo.

Perguntas frequentes

O que caracteriza um Parakite?

Sobretudo o sistema de controlo: a atuação dos comandos permite alterar de forma significativa a geometria e a incidência da asa durante o voo. A diferença está na arquitetura dos risers e dos comandos e na amplitude de controlo que daí resulta.

Como funciona um Parakite?

Os comandos estão integrados com a geometria dos risers. Ao movimentá-los, o piloto altera a configuração longitudinal e a incidência da asa, e com isso a velocidade, o pitch, a trajetória e a energia.

O que fazem os risers?

Ligam os grupos de linhas ao piloto e, num Parakite, podem ser parte ativa do sistema de controlo: transformam o input em alterações coordenadas entre grupos de linhas, mudando a configuração da asa.

O que significa hands up?

Elevar progressivamente os comandos e reduzir o input. Não é largar os comandos, não significa necessariamente máximo planeio e não é apenas «reduzir o ângulo de ataque».

Como funciona o reflex?

É uma geometria de perfil cuja zona posterior modifica o momento de pitch da asa. Numa asa sem estabilizador horizontal, pode contribuir para a estabilidade longitudinal, sobretudo em configurações aceleradas.

O reflex impede um colapso?

Não. Aumenta a margem de estabilidade em determinadas configurações, mas turbulência, baixa pressão interna, deformações, problemas de trim ou inputs inadequados continuam a poder provocar perda de estabilidade.

Qual é a diferença entre incidência e ângulo de ataque?

A incidência descreve como a asa está geometricamente configurada pelo sistema de risers e linhas. O ângulo de ataque é o ângulo entre a corda do perfil e o fluxo de ar relativo naquele instante.

Qual a diferença entre Parakite e parapente?

Está na lógica do sistema de controlo: num Parakite, os comandos permitem alterar de forma muito direta a configuração, a velocidade, o pitch e a gestão de energia da asa.

Um Parakite pode ser usado para speedflying?

Sim. Speedflying é uma modalidade, não uma categoria de asa, e existem Parakites concebidos especificamente para esse tipo de voo.